terça-feira, 6 de novembro de 2012

November Rain

Chovia muito onde ela estava. Os pés descalços brincavam com as gotas que caiam duras e frias na terra, sentada observava o céu escuro.
Não viu quando ele se sentou ao seu lado.
Só percebeu sua presença quando tirando um cigarro da camisa ele disse com voz de tempestade:
_Não fique triste menina. A chuva não vai durar para sempre, acalme seu coração...logo logo dias calmos virão.
Ela não retirou os olhos das gotas que molhavam seus pés.
Depois de um tempo em silêncio ela disse:
_ Não gosto de dias assim. As gotas doem como navalhas entrando em minha pele e a tempestade me impede de voar.
_ Não seja boba_ disse ele brincando com o cigarro entre os dedos_ Você já enfrentou tempestades maiores e eu acredito que suas asas são mais resistentes do que pensa...
_ São tempos difíceis...
Ele a olhou por um tempo em silêncio.
_ Sabe o que dizem por aí_ disse ele levantando_ Que o céu acima da tempestade é tão azul quanto em nossos sonhos mais doces, e que as nuvens são brancas como carneirinhos. Dizem que acima de toda tempestade existe um lugar calmo e seguro pra repousar.
Pela primeira vez ela levantou os olhos e o encarou. O homem vestia preto e tinha o rosto sereno.
_ Você já foi lá?
_ Eu não_ disse ele sorrindo_ Não tenho asas como você. Mas se tivesse não ficaria sentada esperando a tempestade passar e o coração deixar de sangrar. É como dizem: “A neve e a tempestade matam as flores, mas nada podem contra as sementes.”
Ele fechou o sobretudo preto e se afastou.
Ela voltou a olhar para as gotas em seus pés. E tomando uma decisão abriu as lindas asas e subiu enfrentando a tempestade que ficara mais dura.
No começo achou que não iria aguentar a dor que dilacerava seu coração, lágrimas caiam de seus olhos, e estava cansada...muito cansada. Mas não iria desistir, tinha como objetivo chegar acima da tempestade, sabia ser capaz.
Voou mais rápido e com mais força até que alcançou a nuvem mais cinzenta de todas e a dor quase a deixou sem sentido, mas ela superou e passou por ela.
O que viu depois nunca imaginou que existiria, a tempestade ficara num lugar do passado, não havia mais dor, havia finalmente encontrado um lugar de paz.

Lá embaixo o homem sorria.




Hoje, contemplando o fim da tempestade,
Já não recolho os destroços como antes.
Levanto minha cabeça e sigo em frente...
Se tenho que tirar uma lição, fica esta:
O vento só leva, quem se deixa levar...”

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