terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Na Fronteira entre o Bem e o Mal - PARTE 7



Pareciam anos, muitos deles, o tempo naquela cela esperando pela misericórdia e salvação que nunca chegariam.
Abigor estava fraco demais para resistir quando o empurraram cela a dentro novamente. Estava ainda fraco de seus últimos dias no Reino da Luz, em companhia de sua doce princesa. Em seu intimo, o sábio demônio sentia que o fim estava próximo. A profecia.
Não, não deixaria que isso acontecesse. Ele sobreviveria. E lutaria bravamento ao lado de sua amada. Juntos eles conseguiriam vencer a batalha mais difícil de suas vidas e suavemente acariciou a tatuagem de rosa que crescia em seu braço. Juntando o resto de forças que lhe sobravam, entoou o canto mental para chamar seu dragão, ele colocaria esse Castelo abaixo e depois caçaria cada um dos demônios que um dia ousaram trancafiá-lo nessa cela.

**

Pareciam anos, muitos deles, o tempo naquele reino passava devagar desde que Abigor deixará sua companhia.
Um Conselho de urgência havia sido reunido naquela tarde e a Princesa deveria comparecer imediatamente. Seu coração apertado já sabia o que as bocas naquela sala teimavam em calar, o equilibrio do Universo havia sido rompido. Luz e Trevas dançaram juntos por uma noite, fazendo com que o a história como a conhecemos fosse remodelada. Trevas dando sua vida a Luz, Luz se sacrificando pelas Trevas, nada dali para frente seria o mesmo.

_ Como suspeitávamos, o "ato de inocência" da nossa jovem princesa trouxe a desgraça ao nosso reino._começava o Primeiro Ministro com hostilidade após o grande silêncio_ Nossos informantes acabaram de trazer noticias do Reino das Trevas. Princesa, seu belo demônio está preso, a beira da morte, mas antes todos os segredos de nosso Reino foram retirados dele. Os demônios estão vindo, todas as criaturas da noite estão se preparando para o ataque, a Guerra está aqui.

Enquanto a platéia murmurava apreensiva, a Princesa engolia a seco o peso que se apossara ainda mais de seu coração, Abigor, seu demônio, estava morrendo, e ela não poderia nada fazer, seu Reino precisava dela, crianças sofreriam vendo a guerra depois de tantos anos, por ela, porque ela tolamente trouxera um dos demônios mais perigosos que já caminharam pela terra ao seu reino, porque ela se apaixonara por ele. Uma mistura de raiva e dor imundaram seu coração, sentimentos nunca antes sentidos, ela sentiu uma onde de energia percorrer suas asas onde agora estavam tatuadas as linhas negras que Abigor lhe dera ao salvar sua vida.

_ Se existir uma Guerra, nós venceremos.
A multidão se calou espantada pelo tom de voz da Princesa, acostumados com a sua suavidade, era a primeira vez que ela soava intimidadora.
_ Primeiro Ministro organizaremos agora com ajuda de Nostradamus um plano para proteger as crianças e idosos, os  levaremos para a cidade secreta dentro da Montanha. Abigor não esteve lá, e nossos inimigos não podem saber da sua existência. Cada mulher e homem capaz de lutar lutará ao meu lado, nosso Reino tem os melhores guerreiros e venceremos essa Guerra, eu serei o escudo do meu povo, e quando essa Guerra acabar a Escuridão será banida para sempre desse mundo. Dohko reúna seus guerreiros, nessa noite, a Luz deverá continuar a brilhar.

A Princesa sabia da Profecia, mas ela sabia também que mais forte do que todas as profecias do mundo era o amor, e amar era o que ela mais sabia fazer, foi por amor ao seu povo que ela se tornara Princesa, foi por amor a Abigor que ela o salvará da morte certa, e ao pensar no demônio seu coração apertou e um gemido de dor saiu de seus lábios. Ela o salvaria, esperava que chegasse a tempo, mas o salvaria.



"Love can be like poetry of demons
Or maybe, God loves complex irony?"

Links para as primeiras partes dessa história:





domingo, 24 de janeiro de 2016

Em alguns dias tudo vai mudar...

Hoje do nada relembrei a senha do blog e entrei pra ver como tudo estava. Como uma casa abandonada por muito tempo tudo se encontra no mesmo lugar em que deixei da última vez que estive aqui. As palavras estão encobertas por lençóis brancos cheios de poeira, a louça suja ainda está na pia, a TV desligada da tomada pra esquecer das noticias ultrapassadas e violentas que insistem em chegar, os sentimentos ainda amontoados em cima do velho piano, todos guardados em seus devidos potes, rotulados como manda o figurino pois "não se deve de maneira nenhuma confundir sentimentos em minha idade, já estou naquela época em que as certezas devem ser absolutas e o caminho traçado será para sempre aquele em que estou". Ando pela velha casa sorrindo sozinha quando passo por um canto que me trás boas recordações, suspiro enquanto caminho pelas palavras que me deixaram marcas tão grandes e passo sem perceber a mão sobre o meu coração cheio de cicatrizes. Rio largo quando vejo a velha caixinha de música cor de rosa, e a pintura do Destino que tantas vezes me procurou para um bom papo. Sinto falta de conversar com ele...hoje seria um bom dia pra ele aparecer e conversarmos. Mas isso foi numa outra época...num outro eu. Vejo fotos antigas dependuradas na parede, eu e a minha mãe, eu e meu pai como homem de ferro, não conversamos mais hoje...vejo as velhas amizades enraizadas tão fortes dentro de mim que parece que os anos na verdade não se passaram, vejo os amores,...ahhh os amores. Relembro das promessas nunca cumpridas, dos sonhos que ficaram guardados pra sempre na caixinha de recordação em cima do armário, os sorrisos doces, a impressão de que tudo seria para sempre, mas uma única coisa fica em minha memória ecoando, aquela velha canção da Cássia, sobre as estações que mudam mas não mudam dentro de nós, sobre o pra sempre que sempre tem fim,

Sempre tem fim...sento na mesa, pego um copo d'agua, respiro fundo o ar empoeirado...

Acho que é sobre isso que escrevo hoje, sobre o fim.
Muitos anos atrás quando eu construí essa casa ela veio repleta de sonhos e planos, sobre sonhos de uma adolescente obcecada por cor de rosa, filmes da Disney, finais felizes, amor... não que não reste nada dessa mesma menina em mim, ainda amo cor de rosa, os filmes da Disney continuam sendo os meus preferidos, mas o amor e a parte dos finais felizes mudaram bastante, Meu príncipe encantado virou um cara de carne e osso, cheio de defeitos chatos e manias terríveis, mas que cozinha a melhor comida japonesa do mundo, que faz as melhores piadas do universo, e que torna a vida tão simples como respirar, o final feliz é assustador, porque eu não quero que ele chegue nesse exato momento, ok, se ele chegar tudo bem, mas eu ainda quero ver tanta coisa, viajar pra tantos lugares, conhecer tantas outras culturas e costumes que o final feliz parou de fazer sentido, a felicidade parou de ser obrigação e passou a ser sensação, sem compromisso de ficar, sem compromisso de estar presente o tempo todo. Amadurecer me tirou muita coisa doce que ainda se encontra nessa casa e que ficará para sempre aqui, mas amadurecer também me deu a chance de descobrir que na verdade eu ainda não sei de nada e que talvez eu nunca vá saber. Eu luto pelos direitos das mulheres, fui trabalhar com crianças que muitas vezes vinham de famílias totalmente desestruturadas, resgato animais de rua, faço boas ações, não porque eu almejo um céu, porque na verdade eu acho que ele nem exista, mas porque essas coisas fizeram de mim uma pessoa melhor, Eu comunguei com o mundo sobre deixar minhas fantasias de lado e tentar ajudar o meu próximo o máximo que eu conseguir, não porque é meu dever, mas porque eu devo uma pro mundo, afinal o universo sempre conspirou a favor dos meus sonhos e cara, ele me deu muita coisa assim, de "mão beijada".

Olho pra essas paredes pintadas de rosa, olho para a moça com a cavalo branco no riacho, o quadro que tanto me encanta, Alice nunca se esquecerá do seu mundo de maravilhas, mas agora tem um mundo de maravilhas que a espera lá fora. Talvez um dia eu retorne, talvez não, talvez eu comece a construir uma casa diferente, com uma lareira e paredes de tijolo a mostra, talvez.,.
Me levanto da mesa, coloco o copo na pia com algumas xícaras que o Chapeleiro deixou, ajeito os lençóis sobre as palavras, vou até o piano, abro os potes de sentimentos e espalho todos por aí, nunca gostei de rótulos afinal, sorrio enquanto contemplo no espelho meu corpo cheio de tatuagens, dou uma piscadinha pra mim mesmo.

Caminho até a porta,

Olho em volta uma última vez.

Adeus Alice,,,

Fecho a porta.

A partir de agora, o mundo se torna o jardim da minha nova casa.

segunda-feira, 6 de julho de 2015


Hei, quietinho, por favor, não se mecha.
Não saí do aconchego,
Está escuro lá fora
Está frio lá fora.
Fica aqui, em silêncio.
Volta a dormir.
É teu berço florido na minha imaginação
Tua respiração calma
Teu coraçãozinho batendo
Tuas mãozinhas pequenas que me fazem seguir em frente.
Hei pequenino fica aí.
Dentro de mim
O mundo aqui fora é sombrio
Dá medo...está perdido.
Aí dentro eu posso cuidar de você pra sempre.
Te proteger.
Te sentir
Te amar.
Você e eu somos um de alguma maneira mágica e misteriosa.
Hei meu amor eu nem sei teu nome
Nem sei como você é
Mas eu já te amo.
Te chamo de meu
Te encho de poesias
Te conto: “"Numa toca no chão vivia um hobbit...."

E você vai amar o Bilbo
Vai sonhar com dragões e princesas
E cavaleiros numa terra distante.
Mas querido eu te conto coisas mágicas
O Mundo de verdade é cruel
Por isso fica aí
Quietinho
Não se mecha
Fica aí dentro de mim
Porque eu já te amo tanto
Eu já vivo por você
E não quero e não posso
Te trazer pra isso aqui
Não posso fazer você ver as injustiças
A violência
A miséria do mundo
Não posso me perdoa.
Eu te amo
Mas não posso
Não quero ver seu rostinho com lágrimas
Não quero ver a vida te maltratar
Não quero ver você sofrer pelos bichos
Pela natureza
Pela mãe terra.
Por isso fica aí.
Hei meu amor, fica aí dentro pra sempre
Fica aí, junto de mim

domingo, 1 de março de 2015

Lullaby



Existe uma canção de ninar que nunca mais foi cantada, ela paira sobre a minha mente e em algumas noites ela entra em meus sonhos.
Uma canção que há tempos atrás era sempre repetida, quando nos despedimos ela invadiu nossos corações em lágrimas.
Uma canção que me acompanha e sempre que me sinto só a canto em minha alma.
Em noites frias, quando fecho meus olhos posso enxergar seu cabelo negro, seu violão, sentado em uma praça qualquer dedilhando a canção.
Acordo com a sensação de estar tão próxima e ao mesmo tempo tão distante.
Algumas coisas mudam para sempre, outras para sempre ficarão como lembranças, como uma canção de ninar que jamais foi repetida e jamais será.
Em voz alta ela silencia, dentro de mim ela pulsará, imortal.


“I never stayed anywhere
I'm the wind in the trees
Would you wait for me forever?”

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Vinte e Seis


E ela que tinha tanto medo da solidão, encontrou nela seu maior abrigo.
E ela que tinha tanto medo de sentir frio, resolveu que o calor já não lhe satisfazia mais,
Brincar de primavera ficou maçante e o inverno se tornou mais belo a seu olhar.
E ela que sempre gostou de cor de rosa, acinzentou o mundo pra que nada mais a machucasse.
E ela que sempre gostou de poesia, deixou os versos de lado pra decorar formas, padrões sistemáticas de uma felicidade.
E ela que sempre sonhou em ser diferente, moldou seus padrões e se igualou ao mundo.
E hoje Wonderland ficou para trás.
O coelho branco passou rápido demais e ela não conseguiu acompanhar.
O chapeleiro já não faz mais seu chá,
Os caminhos se tornaram tortuosos de se seguir.
Ela acorda todos os dias, suspira, mais um...
Ela abraça, ela beija, ela transa...
Ela bebe, ela fuma, se embriaga nas palavras das pessoas ao redor.
Ela viaja, conhece o mundo,
Ela aprende línguas, ela ganha dinheiro,
Ela vê filmes, entra na briga pelas mulheres, pelas crianças, mas não por ela, não se importa mais.
Ela lê, mas não sonha.
A caixinha de música parou de tocar.
Fios brancos começaram a ser trançados pelas suas mãos que agora carrega ouro e não mais prata.
Ela envelheceu, ficou mais bela, porém dentro dela é a fera quem reside.
A noite dominou seus olhos.
E mais um ano se encerrou hoje.
Mais velha, mais fria, mais calada, mais ela.



sexta-feira, 13 de junho de 2014


Enquanto as folhas das árvores caem pelo outono, eu sinto meus pés e corações congelar, será que ainda restam esperanças?

Talvez quando as sombras não forem assim tão espessas, e os dias voltarem a ser claros e doces, eu consiga enxergar o caminho por onde estou seguindo. Por enquanto os dias cinzas tomaram conta da minha mente, e navegar em meio a tempestade só faz com que percamos ainda mais a direção certa. Talvez quando a poesia voltar a fazer sentido, e as palavras voltarem a se unir em minha mente eu possa enxergar tudo que deixei passar.
A vida brota do caos...a mão que afaga perde a força, a palavra que ia ser falada encontra aconchego debaixo da língua e por ali fica, sem vontade de ser dita.

E no meio do caos eu vejo você...

…Shine on you crazy Diamond...

Como um cometa luminoso em um céu escuro, você ilumina o que há de triste, você ilumina o que há de dor, e assim sem mas, nem talvez, eu consigo me aconchegar em seus braços e já não há importância se os dias são cinzas lá fora, se os meteoros caem rapidamente do céu, se o caos se espalhou. Não importa mais nada, a ressaca do mar se mistura com as lágrimas derramadas na noite passada, a maquiagem borrada se apaga e dá lugar a face limpa e clara, e nada faz mais sentido do que a química composta por seu perfume misturado ao meu. Os dias cinzas e melancólicos passam como areia na ampulheta dos sonhos enquanto caminhamos de mãos dadas ao som daquele velho violino. O outono é o cenário da nossa peça, e cada ato vai se desencadeando em total maestria.

No final da noite, talvez no final da estação, parafraseio Gabo e deixo no espelho do seu banheiro escrito em batom vermelho:
Menino, estamos sozinhos no mundo...

Que o outono dure para sempre.



sexta-feira, 14 de março de 2014

Vinte e Poucos Anos


Com o passar do tempo chego a conclusão de que a vida é uma coisa efêmera e por mais que você hesite em seguir a diante, ela, como um pai teimoso, vai te pegar pelo pulso e te arrastar pra onde quiser.
Com o passar do tempo percebemos que nossas escolhas se resumem a aceitar a vida como ela é, ou cair de cabeça em um paradoxo de liberdade que acaba se tornando contrário a tudo que muitas vezes você acredita e aceita como correto, é uma escolha, a difícil escolha de encarar demônios que já conhecemos ou assumir o risco de encontrar novos que podemos não conseguir destruir.
Enquanto isso, os dias vão passando, as horas, os cabelos vão ficando grisalhos e a face enrugada, a mão já não tem toda aquela força e os olhos já não enxergam tão bem assim o caminho a ser seguido, o tempo não respeita a inércia da indecisão e como um vilão de filmes infantis ele te tira o bem mais valioso, a possibilidade de correr riscos. Com o passar do tempo aprendemos a ser prudentes, a sermos covardes, já não nos levantamos mais perante as injustiças porque sabemos que aquilo sempre vai ser assim, foi assim desde o inicio dos tempos, não temos a ânsia da juventude de mudar o mundo e deixa-lo melhor, deixamos isso pras gerações futuras, as gerações que não saberemos mais como criar.
Meu maior medo é olhar pra trás e perceber que deixei de viver, de correr riscos e apostar em coisas novas por medo de perder minha sustentação em um mundo hipócrita e que ri da inocência cor de rosa que cultivei durante tanto tempo trancada numa caixinha de cetim, tenho medo de ficar velha sem a sensação boa do dever do cumprido, sem dar valor a cada fio de cabelo branco, a cada tatuagem em uma pele já tão gasta que conta a minha história.
Eu vou envelhecendo com medo de perder a sensibilidade de esperar o por do sol, com medo de não saber mais conversar com animais, com medo de não conseguir admirar a beleza de uma flor sem sentir a tentação de arrancá-la do jardim, eu estou envelhecendo, e tenho medo, muito medo de não conseguir mais voar. E por isso todas as noites eu ainda rezo o Santo Anjo, faço um pedido pra primeira estrela do céu, e repito como aprendi com o Caio todas as manhas: Que o dia seja doce como brigadeiro.

Amém.

“Logo os meninos perdidos viram que tinham sido uns burros por não ficarem na ilha. Mas agora era tarde demais, portanto eles se conformaram em ser tão normais, quanto eu, você ou qualquer zé ninguém. É triste contar isso, mas aos poucos eles foram perdendo a habilidade de voar. Eles disseram que era falta de prática, mas a verdade é que não acreditavam mais.”

Peter Pan – J.M Barrie

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

2014


"Não ache que uma noite específica mudará sua vida, seus planos.
Sua vida precisa de muitas e muitas noites para mudar de rumo, para trocar de planos.
A decisão é um estalo, claro, que acontece cedo ou tarde na vida, no rumo, nos planos de cada um. Mas nenhum estalo nasce do nada, nenhum rumo parte para o nada, nenhuma vida acontece por nada: são dias e dias e dias e dias de tentativas e erros e fracassos e esgotamentos.
Não vai ser hoje que você vai abraçar todo mundo que ama, realizar todos os sonhos do mundo.
Não vai ser hoje que você vai dizer todos os seus silêncios, silenciar todas suas ofensas.
Não vai ser hoje que você vai idolatrar todos os seus inimigos, culpar todos os seus amigos.
Não vai ser hoje que você vai se despedir de todos os seus amores, de todas as suas imbecilidades.
Por enquanto, viva uma noite de cada vez, uma loucura de cada vez, um perdão de cada vez, uma vez de cada vez.
Não vai ser hoje que você vai mudar o seu mundo. Ele já está mudando desde que você se permitiu chorar nas mãos da parteira. Agora, parta para a vida com a certeza de que uma noite específica não mudará sua vida, seus planos, seus rumos.
Repito: não vai ser hoje que você vai mudar o seu mundo. Ele está mudando o tempo todo desde ontem. Ele mudará o tempo todo até amanhã.
[amanhã quem sabe; Antônio]."

Obrigado pelos peixes 2013.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Estupro nosso de cada dia


Um ano da morte de uma indiana estuprada coletivamente num ônibus. O mundo ouviu falar. Protestos. Indignação mundial. Mas quer saber? Besteira!
Não é? Afinal, quem reclama disso é tudo feminista sem mais o que fazer. Sério, mulher sem louça pra lavar. Fica reclamando à toa, na verdade, elas que tem privilégios. Desde sempre, aliás. As mocinhas que não faziam nada, enquanto os bravos cavaleiros lutavam guerras sangrentas e perigosas. Hoje, elas ficam em casa cuidando de crianças e do lar (ou deveriam ficar, pelo menos), tarefa muito mais simples e certamente menos desgastante do que trabalhar oito horas por dia pra sustentar a família. Com certeza. É, é menos desgastante. E ainda reclamam!
E com o que elas têm que lidar? Uns “gostosa!” na rua? Umas apalpadelas no ônibus? É inocente, é um “elogio bruto”. A que isso pode levar? Estupro coletivo, no máximo. Besteira.
(Mas na hora de servir o exército ninguém quer, né, hahahaha, feministas escrotas sem coerência).
Na verdade, é tudo gorda. Tudo mal comida. Falta uma pica grossa pra essas insuportáveis. Que nem pra indiana. Reclamou, mas deve ter morrido gozando. Alguém pra comer pelo menos. Mulher feia tem que ficar feliz de ser estuprada, né? Alguém já disse isso. Sábias palavras, com certeza.
E, mesmo que seja bonita, devia estar se mostrando. Tinha que estar. Aí mereceu.
(A licença paternidade é muuuito menor que a licença maternidade. Reclamam à toa, essas feministas sem noção).
Um ano e continuam reclamando sem motivo. O mundo é igualitário. Machismo não existe. Tudo invenção. Querem uma ditadura das mulheres. Querem ter mais direito que os homens.
(Quão dura e sofrida é a vida do varão que precisa se privar de objetificar mulheres por aí para não ser confundido com estupradores. Ah, que falta de racionalidade!)
O quê? O que aconteceu com a indiana acontece o tempo todo em todos os lugares? Ainda? Ah, mas... Tem motivo. Elas provocam. O homem não tem culpa. Com uma saia curta daquela, tava pedindo! Ah, não tava de roupa curta. Mas alguma coisa fez pra provocar. Se não, né, nunca tinha rolado... Não fez? Bom, mas não importa.
Eu não sofro com isso, então foda-se. É tudo feminista escrota, irracional e cheia de mimimi. Deviam se dar por satisfeita da gente deixar elas falarem. Só falam merda mesmo, hein? Mulher é tudo burra! Hahaha!
Mesmo considerando que eu não faço a menor ideia do mundo em que elas vivem. Mesmo levando em conta que é terror absoluto cada olhar de um macho na rua, e até a própria vida em muitos casos. Não importa. É besteira. Essa indiana não devia ser martirizada. As mulheres deviam parar de mimimi.
Enquanto isso coisa mais séria acontece no mundo. Tipo... Minha mulher tá querendo trabalhar fora. Olha isso! Como uma família continua firme desse jeito?

E elas reclamando. Absurdo.
Um ano da morte da indiana?
Perto do que eu passo, isso não significa nada!

.
João Víctor é escritor, filósofo e confia na capacidade das pessoas de entender sarcasmo.

sábado, 21 de dezembro de 2013

By blood and by me


Porque no final sobram as rimas das palavras nunca ditas e o pó dos sonhos nunca realizados.
Porque no final eu fecho a cortina sem nenhum aplauso.
Porque a realidade é que o pó de pirlimpimpim não me ajudou a voar,
E o amor ficou perdido em uma das esquinas do destino.
Porque no final a rosa desbotou e o branco do vazio tomou conta de tudo.
Porque no final seu sangue não foi suficiente pra me salvar
E minhas asas não estavam prontas pra voar.
Porque no final os anjos não eram tão bons assim
E as possibilidades de um final feliz se perderam nas páginas amareladas de algum livro na estante
Porque no final de tudo o colo quente e aconchegante da primavera virou outono,
E os olhos dele se perderam no meio da multidão
Porque no final, à noite, eu me sentei e chorei.
Chorei porque no fim, quando a Terra andar a ermo pelo espaço e a raça humana estiver extinta a marca da lágrima ainda estará no chão vazio.
Porque no meio de toda essa confusão de mentiras e hipocrisias é a minha lágrima a derradeira verdade.
Salgada marca o chão em silêncio
Em silêncio tudo se desfaz...

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

*♥* 28 *♥*

“Há um lugar onde os corações partidos deixam bilhetes pedindo ajuda a Julieta.
Foi lá que eu achei uma carta que mudou a minha vida para sempre!”

Quando assisti “Cartas para Julieta” eu fiquei imaginando como seria lindo ir para Verona, admirar a paisagem na sacada da casa de Julieta, escrever uma carta para deixar na sua parede e viver naquele universo shakespeariano por algum tempo.
Como eu não sei quando vou conseguir ir para Verona eu antecipei a minha carta e se eu pudesse ir amanha, ela seria assim:

Cara Julieta.
Por mais que durante séculos muitas pessoas julgassem sua história de amor de formas distintas, um paradoxo entre loucura e paixão, eu hoje consigo entender perfeitamente toda essa insensatez pela qual você passou. Mas eu gostaria que vocês não tivessem morrido no final, essa parte da história sempre me deixou tão triste. Eu espero Julieta que exista um mundo além desse aqui, e que você e o Romeu possam estar juntos lá ou então que suas almas tenham voltado pra esse mundo aqui com a certeza de dessa vez estarem juntas para sempre, mesmo que não sejam todos os dias felizes, mesmo que ás vezes existam brigas e desentendimentos eu tenho certeza Julieta que vocês seriam muito felizes, afinal o amor de vocês é aquele que supera tudo e emociona a todos.
Há algum tempo atrás eu conheci o meu Romeu e assim como você eu também não peço para que ele jure o amor dele pela lua, ou pelo sol, ou pelo céu e infinito, porque tudo isso parece tão efêmero perto da energia que paira quando estamos juntos, na verdade eu não quero palavras nem juramentos, eu só quero pra sempre aquele olhar que ele me dá quando estamos juntos, o carinho das suas mãos, o jeito doce de falar comigo, o cuidado com que cuida de mim. Nós estamos vivendo intensamente por vinte e oito meses uma das histórias de amor mais loucas que eu já conheci, cheia de aventuras, de drama, de romance e que eu tenho certeza está apenas começando.
Acho que você conhece um amor assim, daquele que duvidar das estrelas, do sol e da verdade é tão mais fácil do que duvidar dele. Você sentiu isso não sentiu? Pelo seu Romeu? A sensação de serem feitos um para o outro mesmo quando tudo parece separá-los? Aquela sensação de ter encontrado seu melhor amigo e seu maior amor ao mesmo tempo?  Eu estou presa nesse mundo tão seu Julieta, estou presa nesse sentimento que me faz esquecer de tudo e me manter alerta somente para ele. E tudo a minha volta me faz sentir a sua falta, me faz ficar com toda aquela saudade louca de abraça-lo, ficar pertinho infinito curtindo seu colo e seu carinho.
Pois você entende Julieta, quantos Romeus você acha que existe no mundo?  Aquele Romeu meio maluco, meio nada a ver com você, mas ao mesmo tempo compatível com tudo aquilo que você imaginava ser o cara que ficaria com você pro resto da sua vida. E mesmo que demorasse cinquenta anos para o nosso reencontro, e mesmo que eu tivesse que ficar uns dez correndo de um lado pro outro em rodoviárias pra vê-lo, eu ainda acho que valeria a pena, eu ainda faria tudo isso porque o verdadeiro amor não tem data de vencimento e nunca é tarde demais, não tem nada que seja capaz de fazê-lo durar menos pois ele se torna mais forte com o tempo, mesmo que pareça impossível continuar algumas vezes, é ele quem nos dá a mão e segura forte quando pensamos que estamos perdidos.
Quando estamos juntos é como manha de domingo, a gente quer que nunca acabe, que tudo fique sempre naquele aconchego, sem pressa, sem correria, apenas ele e eu, aquela vontade de não mover um músculo que seja, só as mãos pra fazer carinho e a boca pra aquelas conversas longas sobre coisa nenhuma.
E a gente merece Julieta, a gente merece dormir tranquilo toda noite, e acordar com o sorriso doce do outro, a gente merece amigos verdadeiros que sejam felizes com a nossa felicidade, merecemos leveza na alma e paz de espirito, porque agora vamos viver a melhor época da nossa vida, a época de descobrir o mundo e a nós mesmos, juntos finalmente sem a distância de milhas e milhas que tornava o nosso amor ás vezes tão dolorido. Mesmo que no fundo eu sinta medo, vou seguir seu conselho, eu só preciso ter coragem de seguir meu coração.
Enfim, querida Julieta, eu vim te contar do meu amor pra que onde quer que você esteja saiba que seus passos e sua história ainda continuam a inspirar outras pessoas que assim como eu acreditam que o amor é o melhor e único remédio pra alma do mundo, e acima de tudo que é possível no mundo de hoje ainda viver um grande e maravilhoso amor de verdade.

Bo, muito obrigado por fazer parte dessa história que um dia eu quero colocar no muro da casa da Julieta, muito obrigado por esses 28 meses maravilindos  e que a partir de agora sejamos ainda mais fortes e felizes.

FELIZ 28 MESES DE BO *-* *-* *-*
Te amo muito ♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥

♥♥♥♥♥♥♥♥♥ Rawwwwwwrrrr  ♥♥♥♥♥♥♥♥♥



“Presta atenção, presta atenção, presta bastante atenção… Eu moro em Londres uma cidade histórica, linda e vibrante na qual eu amo viver. Você mora em Nova Yorque que é super estimada. Como o atlântico é largo demais para atravessar todos os dias a nado, de barco ou de avião, vamos decidir isso na moeda. Mas se você não quiser aceitar isso eu deixo Londres com todo prazer se você estiver me esperando do outro lado, porque a verdade é que eu te amo, loucamente, profundamente, verdadeiramente e apaixonadamente!”
Cartas Para Julieta.


quinta-feira, 3 de outubro de 2013


“Eu me atrevi a falar sobre as árvores e fiz silêncio sobre os ossos secos. Isso me condenou a anos de solidão. Mas, se falei sobre árvores é porque acredito que são os poemas sobre árvores que ressuscitam os ossos secos espalhados no deserto. Visões de ossos secos não têm poder para dar vida aos ossos secos… Imaginei um político que nascesse da beleza. Lutam melhor os que têm sonhos belos. Somente aqueles que contemplam a beleza são capazes de endurecer “sem nunca perder a ternura”. Guerreiros ternos, Guerreiros que leem poesias. Guerreiros que brincam como crianças…”


(Rubens Alves - Se eu pudesse viver minha vida novamente)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Sinto que vou me apaixonar perdidamente...


“Você acreditaria que há uma criatura que transforma tudo o que olha em branco puro? Que há corpos de vidro afundados na água do pântano? E vacas do tamanho de insetos, com asas de borboleta? Então ainda não pode enfrentar o que está acontecendo com você. Talvez ainda não tenha percebido, ou ache que é apenas uma farpa no dedo do pé, mas a verdade é que você está, de fato, se transformando em vidro, lentamente.
E embora, nesse ritmo, talvez pudesse seguir para sempre, tornando a transformação derradeira tão vaga como a morte, nunca se sabe quando seu corpo e sua razão se cansarão da batalha, e você terá de sucumbir instantaneamente à mais fantástica das cristalizações. É hora de acreditar no impossível. E, antes de mais nada, acreditar em si. Porque, se não é mais capaz de surpreender-se e maravilhar-se com os mistérios dessa vida, talvez seu coração já tenha endurecido.”

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

*♥* 27 *♥*


Olha aí Bo, quanto tempo já faz que a gente levou aquela flechada certeira do cúpido hein? Esse dia a gente nunca esquece, aquele dia chuvoso, meio abafado, acinzentado, em que nossos olhos se encontraram pela primeira vez, e aí ela veio, a flecha afiada que rasgou tudo aqui dentro, e não tinha mais volta.
Depois o mundo mudou, as cores mudaram, as nossas vidas viraram de ponta cabeça, e vieram os morceguinhos e borboletas no estômago, os olhinhos brilhando, o coração fazendo ticaticabunch, as respirações prendidas, e tudo por mais brega que possa parecer se transformava em corações, inclusive mordidas em maça do amor, anjos e demônios ganharam histórias lindas, e o preto nunca ficou tão compatível com o rosa. As noites traziam mais saudades, e os dias não estavam completos quando você não estava. As alegrias ficaram mais intensas, e as dores mais fortes, porque a gente aprendeu a dividir tudo, então um acaba sentindo o que o outro sente e quando a gente percebeu “as nossas vidas” se transformou em “nossa vida”, as viagens pelo mundo começaram a tomar forma, porque enfim, eu tinha achado o meu parceiro de mochila, enfim um companheiro de aventuras, e eu queria e quero explorar cada cantinho do mundo com você, quero uma foto no topo de Machu Picchu, e uma no Pico do Everest, quero uma debaixo da Torre Eiffel, outra em frente ao Taj Mahal, uma nas Muralhas da China e outra nas Pirâmides do Egito, quero esquiar com você na neve dos países nórdicos e curtir as praias do Havaí, quero visitar todas as bibliotecas do mundo e os museus, quero tudo, mas quero tudo com você.
A vida nunca mais foi a mesma desde o dia em que você chegou e de repente tudo que veio antes pareceu sem importância, nenhum colo era mais aconchegante que o seu, e nenhum carinho era mais gostoso, nenhum beijo e nenhum abraço foi tão esperado como o seu. E aquela paranoia que tentam enfiar na nossa cabeça de que não se pode confiar em ninguém, com você virou Conto da Carochinha, ao seu lado eu fecho os olhos e salto de qualquer altura porque sei que você vai estar lá embaixo pra me segurar se eu não conseguir voar.
Depois que você chegou a vida tem gosto de pizza, jujuba e chocolate, de pastel de feira de domingo, de doce de leite, de lasanha de mãe, é aconchegante como lareira no inverno e faz o coração da gente bater rápido como festa de aniversário surpresa, é bom como feriado na quinta e na terça-feira, ronronar de gatinho no pé da gente, e ás vezes é tranquila como barulho de chuva no telhado a noite.
Realmente, a gente nunca esquece o dia que o cupido acerta uma flechada de primeira na gente, porque a partir daquele momento a nossa vida jamais será a mesma.
E mesmo que ás vezes eu canse do seu jeito metódico, da sua maneira de planejar tudo com cinquenta anos de antecedência e do seu jeito de arrumar demais as coisas enquanto eu sou uma grande bagunceira que adoro fazer as coisas de última hora, mesmo com todo esse antagonismo, eu ainda prefiro mil vezes ter você ao meu lado, o cara metódico que traz sempre chocolate quando eu tô de TPM, o cara fanático por arrumação que me ajuda colocar todos os meus trabalhos em dia e me ajuda arrumar a minha parte do guarda-roupa, o cara que planeja todas as nossas viagens nos maiores detalhes e sem o qual eu sempre ficaria perdida, eu prefiro tudo isso assim, porque mesmo que eu considere isso tudo um grande defeito, é bom ter alguém imperfeito do meu lado, é quase uma sorte imensa, porque perfeição causa tédio e com tédio a gente não consegue ser feliz de verdade.
Eu sei que a distância ainda insiste em continuar (agora em menor escala, ainda bem) entre a gente, mas eu posso dizer que ela acaba sendo uma coisa boa, porque ela “potencializa” as coisas, tá, potencializa a dor da saudade, os gastos, a carência, e não dá pra você simplesmente sair no meio da noite quando a gente briga e bater na porta da minha casa...aliás, não, pera, você já fez isso duas vezes né? Então nisso distância, você perdeu feio. Mas ela aumenta também os momentos únicos, os olhares, os abraços, e cada segundo que a gente passa junto é muito especial. E a gente frequenta tanto as rodoviárias que acaba fazendo amizade com os motoristas, o pessoal que vende as passagens, e eles até reservam as melhores poltronas pra gente, e no fim o amargo fica bem mais fraquinho que o doce, vale o dinheiro gasto em passagens, as contas de telefone, as lágrimas de saudade, vale tudo pra ganhar o abraço forte, o beijo bom pra caramba, o carinho, a massagem, o colinho, o pezinho com pezinho, vale a pena pra ganhar você pertinho.
Então, bigada por esses Dois anos e três meses de Bo, bigada por ser o meu ogrodoce, bigada por todos esses dias juntos e que venham muitos e muitos e muitos mais.

Te amo muito

Rawwwwwwwwwwwwwwrrr ♥


"Eu quero poder viver mais umas 5 vezes .
Então eu renasceria em 5 cidades diferentes ,
Eu me encheria com coisas diferentes e deliciosas 5 vezes cada,
Eu teria 5 empregos diferentes,
E então nessas 5 vezes,
Eu me apaixonaria pela mesma pessoa ."
(Orihime Inoue)