quarta-feira, 16 de janeiro de 2013


O portão balançava, fazendo o seu barulho de sempre, lá fora gotas grossas de chuva caiam insistentemente, ela estava sentada na janela e observava os pingos deslizaram pelo vidro, pensava sobre o mundo e sobre as coisas que existiam nele.
Não gostava de dias assim, cinzas e frios, eram dias solitários em que não se podia brincar no quintal, nem balançar nos galhos das árvores, dias em que não se podia andar descalço e tomar sorvete... Dias que não passavam e tudo a deixava entediada.
Os dedos frios desenhavam figuras na janela embaçada, um sol sorrindo, montanhas, pipas no céu... e pensava que o mundo poderia ser como um desenho seu, colorido, quente e feliz.
De repente se assustou com o barulho do portão que bateu com força na parede e lá ficou. O vento aumentou e trouxe um arrepio. Ela desceu da beirada da janela pra pegar um casaco e escutou um barulho estranho no guarda roupa, algo estava se mexendo lá dentro. Parou por uns instantes com medo de ser um rato ou o Bicho Papão, pegou um travesseiro e segurando-o como se fosse à arma mais letal do mundo abriu com força a porta.
Lá dentro seu mundo mudou e ela percebeu que a chuva não podia durar para sempre...
E assim aconteceu.


“ E as coisas que começaram a acontecer a partir daquele momento eram tão lindas e grandiosas que não consigo descrevê-las. Para nós, este é o fim de todas as histórias, e podemos dizer, com absoluta certeza, que todos viveram felizes para sempre.”

TRECHOSA ÚLTIMA BATALHA - AS CRONICAS DE NARNIA
C. S. LEWIS


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Nada Contra - Aline Valek


“Não tenho nada contra homofóbicos. Eu, inclusive, tenho muitos amigos que são. O problema é que tem uns homofóbicos escandalosos, que não conseguem ser discretos. Ficam dando pinta que não gostam de gay, sabe? Tudo bem ser uma pessoa rancorosa e preconceituosa, mas não em público. Entre quatro paredes e bem longe de mim, tudo bem. Nada contra mesmo.
É impressionante o quanto eles se acham no direito de ficar com pouca vergonha na frente de todo mundo. Outro dia ouvi um cara dizer, em plena luz do dia e para quem quisesse ouvir, que “gay é abusado, mexe com homem na rua mais do que homem mexe com mulher”. Acredita? Mas já vi e ouvi coisas piores. “Tenho nojo de homem se pegando” ou “essas menininhas que se beijam não são bissexuais coisa nenhuma, só querem chamar atenção dos homens” ou ainda “te sento a vara, moleque baitola”, e por aí vai. E se alguém critica, logo apelam para “ah, foi só uma piada” ou “é a minha liberdade de expressão” ou ainda “está na Bíblia”. O horror, o horror.
Ser homofóbico é uma opção, mas ninguém tem a obrigação de aceitar, né. É muito constrangedor ver alguém olhando feio para duas pessoas do mesmo sexo se beijando. Como eu vou explicar para os meus filhos que existe gente intolerante? O pior é que nem na escola as crianças estão a salvo. Querem ensinar nossos filhos a serem homofóbicos, imagina! Quando você percebe, já é tarde demais: uma amiga minha foi chamada pela diretora porque o filho foi pego espancando um colega no intervalo. Tudo porque o rapaz era gay. Minha amiga, coitada, não aguentou a decepção de ter um filho homofóbico. Ela diz que é só uma fase, que vai passar. Por garantia, levou o menino no psicólogo.
Acredite, homofobia tem cura. Soube de uns casos de conversão que parecem até milagre. Em um dia, a pessoa estava lá, odiando gays, militando contra o direito dos homossexuais ao casamento civil, fazendo marcha pela família e tudo o mais. Mas com um pouquinho de empatia e bom senso, eles começaram a ver que não tinham nada que se meter com a sexualidade dos outros. E como o respeito é todo-poderoso e misericordioso, os ex-homofóbicos viram que os gays eram boas pessoas e também mereciam os mesmos direitos. Hoje dão testemunho de tolerância.
Agora, tão preocupante quanto homofóbicos exibidos e sem-vergonha são aqueles que não se assumem. Aqueles que não saem do armário, que se fazem de pessoas normais e sem ódio no coração, mas que, no fundo, no fundo, também são fiscais de cu alheio. Pensa comigo: você sai com uma pessoa dessas, sem saber da opção de ignorância dela, e começam a pensar que você também é homofóbico, igual a ela. E todos sabemos que homofóbicos são abominações, ninguém quer ser confundido com um deles. Além disso, onde enfiar a cara quando eles resolverem se revelar e soltarem um “odeio viado” assim, do nada?
Mas não me leve a mal. Não tenho nada contra os homofóbicos, apenas não concordo com a homofobia. Essa doença quase sempre vem acompanhada de outros preconceitos, como o machismo e o racismo. É um caminho sem volta. Fico triste de ver tantos jovens se perdendo nesse mundão de ódio gratuito. É por essas e outras que prefiro ter um filho gay a um filho homofóbico. Ah, você quer saber se eu vou aceitar e amar um filho que virar homofóbico? Como alguém já disse por aí, eles não vão correr esse risco; vão ser muito bem educados.”




“_ Quando a gente morre_ diz a mulher de cabelo escuro da mesa ao lado_ agora podem transformar a gente em diamante. É cientifico. É assim que eu quero ser lembrada. Quero brilhar.”




Páginas de um diário encontrado numa caixa de sapatos abandonada num ônibus da Greyhound em algum lugar entre Tulsa, Oklahoma , e Louisville, Kentucky. – Neil Gaiman

domingo, 6 de janeiro de 2013


“...O voo já nasce dentro dos pássaros,
não pode ser ensinado,
Só pode ser encorajado...”

Rubem Alves


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013



“Pessoas se despedaçam tão facilmente...
Sonhos e corações também...”

Coisas Frágeis II – Neil Gaiman

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013


"Acho que o mundo vai acabar em preto e branco, igual a um filme antigo.
(Cabelo preto como carvão, amor, pele branca como a neve.)...
Talvez enquanto haja cores, consigamos sobreviver.
(Lábios vermelhos como sangue, procuro sempre me lembrar.)”

Páginas de um diário encontrado numa caixa de sapatos abandonada num ônibus da Greyhound em algum lugar entre Tulsa, Oklahoma , e Louisville, Kentucky – Neil Gaiman