domingo, 9 de dezembro de 2012


“...Existem pessoas que acreditam que sempre tem um jeito,
para inventar,
assistir,
ler ou para se criar um refugio,
mesmo que pequeno...”

Desventuras em Série

sábado, 8 de dezembro de 2012


"Não há mais barreiras para atravessar. Tudo o que eu tenho em comum com o incontrolável e o insano, o vicioso e o mal, toda a confusão que eu causei e minha total indiferença para com isso eu já superei. Minha dor é constante e acentuada, e eu não espero por um mundo melhor para todos. Na verdade, eu quero a minha dor seja infligida a outros, aqueles. Eu não quero que ninguém escape. Mas, mesmo depois de admitir isso, não há catarse; meu castigo continua a iludir-me, e eu não ganho um conhecimento mais profundo de mim mesmo. Nada novo pode ser extraído de minha narração. Esta confissão não significou nada."

American Psycho.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012


“…Let us die young or let us live forever
We don't have the power but we never say never
Sitting in a sandpit, life is a short trip
The music's for the sad men...

Some are like water, some are like the heat
Some are a melody and some are the beat
Sooner or later they all will be gone
Why don't they stay Young...”

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

"Acho que prefiro me lembrar de uma vida desperdiçada com coisas frágeis a uma vida gasta evitando a dívida moral."


“Enquanto escrevo isso, me ocorre que a peculiaridade da maioria das coisas que consideramos frágeis é o modo como elas são, na verdade, fortes. Havia truques que fazíamos com ovos, quando crianças, para demonstrar que eles são, apesar de não nos darmos conta disso, pequenos salões de mármore capazes de suportar grandes pressões, e muitos dizem que o bater de asas de uma borboleta no lugar certo pode criar um furacão do outro lado do oceano. Corações podem ser partidos, mas o coração é o mais forte dos músculos, capaz de pulsar durante toda a vida, setenta vezes por minuto, não falhando quase nunca. Até os sonhos, que são as coisas mais intangíveis e delicadas podem se mostrar incrivelmente difíceis de matar.
Histórias, assim como pessoas, borboletas, ovos de aves canoras, corações humanos e sonhos, também são coisas frágeis, feitas de nada mais forte ou duradouro do que 26 letras e um punhado de sinais de pontuação. Ou então são palavras no ar, compostas de sonhos e ideias _ abstratas, invisíveis, sumindo no momento em que são pronunciadas_, e o que poderia ser mais frágil que isso? Mas algumas histórias, pequenas, simples, sobre gente embarcando em aventuras ou realizando maravilhas, contos de milagres e monstros, perduram mais do que todas as pessoas que as contaram, e algumas perduram mais do que a própria terra em que foram criadas.”



Neil Gaiman
Primeiro dia da Primavera de 2006.




terça-feira, 20 de novembro de 2012



“...Existe algum titulo para tudo?
As palavras não acolhem tudo o que se quer dizer.
São demasiado pequenas, mas também serão,
a par do que sentimos,
o melhor meio para nos expressarmos..."

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Décimo sétimo mês


O quarto estava silencioso quando eu entrei, por todos os lados recordações de um tempo diferente daquele.
Minha mão escondia um punhal. Parecia ter sido feito para aquele momento.
Em meio à parede rosa descascada, me perdi observando cada detalhe daquele lugar que um dia havia sido tão maravilhoso, hoje nada mais restava a não ser pedaços de vidros espalhados pelo chão, molduras empoeiradas e sorrisos apagados pelo tempo. O ar frio entrava pela janela aberta onde uma cortina rasgada bailava.
Em um canto mais afastado uma vitrola cantava uma canção antiga de amor.
Olhei para ele, em sua inocência alheio a todo aquele caos. Contrariando todas as leis da natureza, ele sobrevivia ali.
Me aproximei e vi que seus olhos brilharam mais forte. Ele sabia que eu o enxergava.
Eu o peguei no colo com delicadeza, era lindo, simplesmente perfeito em sua doce inocência, era apenas um bebe...
Trazia em si uma imagem conflitante ao lugar em que estava, era limpo e claro, num quarto escuro e empoeirado.
O apertei forte contra o peito e senti a dor que ele me proporcionava, uma dor nunca antes vivida ou sentida.
Em meio a tudo aquilo, comecei a cantar canções de ninar o embalando, até que seus olhos pesados fechassem completamente.
O coloquei de volta ao berço.
Era tão sereno e lindo.
Olhei para o punhal em minha mão. Era preciso fazer aquilo. Não havia escolhas.
Porém ao me aproximar mais, sua respiração tranquila me fez parar um minuto para refletir. Ele merecia mais uma chance, mais uma chance de sobreviver naquele caos, somente uma. Eu não seria capaz de mata-lo...não agora, não neste momento.
Me debrucei sobre o berço e beijei sua linda face.
Ali ele dormiria até quando fosse necessário, quando o inverno da alma passasse quem sabe seria sua vez de regressar.
Coloquei o punhal em cima da velha cadeira e virei as costas.
Quando alcancei a porta dei uma última olhada e peguei a chave que a muito tempo estava guardada dentro de uma gaveta.
Me despedi de tudo aquilo.
Saí trancando-o no meu coração para sempre...