sexta-feira, 18 de novembro de 2011


"Chega de virar páginas.
Eu preciso escrever um livro novo.
Com personagens novos, novas aventuras, novas amizades, novos medos,
novos sonhos e novas paixões...”

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

“O Teu outono me fez primavera...”

Acho que toda criança deveria assistir desenhos...


Monstros S.A me ensinou, que aparência não significa bondade.
A Bela e a Fera me ensinou que quando duas pessoas se amam, beleza não significa nada.
Cinderella me ensinou que dinheiro não compra classe.
Encantada me ensinou que duas pessoas podem ser de mundos completamente diferentes, mas se elas se amam, não há nada que as impeça de ficarem juntas.
Mulan me ensinou a lutar sempre, por mais difícil que as coisas sejam.
A dama e o vagabundo me ensinou que os opostos se atraem.
Toy Story me ensinou que o que é verdadeiro, permanece.
Procurando Nemo me ensinou que sempre devemos lutar por aquilo que amamos.
E Shrek me ensinou que ninguém precisa ser perfeito, para ser feliz...
Essas crianças de hoje deveriam assistir mais esses desenhos,
quem sabe seriam pessoas melhores para esse mundo!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

♥ ** QUINTO MÊS ** ♥

“Há alguns meses, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor verdadeiro. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor verdadeiro. Mas vocês sabem a que me refiro.
Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida". De repente cruzadas ali, por puro mistério, entre olhares tímidos de dois estranhos e meia dúzias de palavras que se tornaram eternas. E nos sentíamos.
Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegida, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético dele. Seus olhos me olhavam e me reconheciam de outro lugar, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come frutas, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Peixes. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.
Não queria nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente, que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração.
Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência. Sobretudo à noite, aos domingos.
Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor verdadeiro. Curvo a cabeça, agradecida. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. Mesmo nos dias de ausência encontro sua presença em minha alma”.

E que assim seja para todo sempre

FELIZ BODAS DE CHOCOLATE BO *-*

11/11/11 às 11:11


Tenho um presente para vocês, o melhor presente de “Sobrevivemos ao fim do mundo dia 11/11/11 às 11:11” que posso dar: uma história bonita. É real, é de Caio Fernando de Abreu embora pareça mais uma estória naquele sentido de Guimarães, o Rosa. Conto hoje a vocês não apenas porque o dia é especial, mas vocês também o são para mim. Acreditem.
Alice

“Foi um sábado de setembro último. Era um daqueles dias de ventania descabelada da primavera gaúcha, e Déa Martins me convidou para ver o pôr-do-sol na Ponta do Gasômetro, na beira do Guaíba, onde os Oxuns se encontram. Sentamos na grama, ficamos olhando o céu, o rio, o horizonte verde das ilhas. Provavelmente fumei um cigarro, Déa deve ter falado dos problemas de produção com os Paralamas do Sucesso, lembramos de nossa amiga Stella Miranda ou inventamos mais histórias sobre as irmãs Salete, Bebete e Janete. O que quero dizer é que não houve mesmo nada especialmente prévio. Nenhum aviso, nenhuma suspeita. “Aconteceu sem um sino pra tocar”, como no poema do príncipe Péricles Cavalcanti que Adriana Calcanhoto canta e outro dia me fez chorar de beleza. Ríamos muito, isso é sempre o melhor com Déa: ri-se sem parar.
O vento espalhava rapidamente as nuvens pelo céu. Dissolviam-se em fiapos primeiro brancos, depois rosa, depois vermelho cada vez mais púrpura, até o violeta, enquanto o Sol ia-se transformando aos poucos numa esfera rubra suspensa. De repente observei: certa nuvem não se mexia. Apenas uma. Parada, branca, enorme, eu olhei desconfiado. E tinha uma forma inconfundível, qualquer criança veria. Desviei os olhos, falei sem parar, as outras nuvens continuavam a esfiapar-se. Aquela, não. Então, com muito cuidado eu disse: “Déa olha lá aquela nuvem.” Ela olhou. E disse: “Meu Deus, é um anjo.”
Sem gritaria, ficamos olhando a nuvem-anjo. Ninguém mais olhava para ela embora, apesar de discreta, fosse um escândalo.
Quanto às outras nuvens, continuavam a se esgaçar, virando sem parar elefantes, camelos, colinas, nuas mulheres barrocas, como é próprio da natureza das nuvens. Mas aquela, aquela uma não se transformava em nada diferente dela mesma, apenas aperfeiçoava a própria forma. Quer dizer: ficava cadavez mais anjo. Mais tarde, ao chegar em casa,tentei desenhá-la. Olho o desenho agora: a perna direita levemente dobrada, como num plie de dança clássica, a esquerda alongada para trás, num per. feito relevé o corpo se curvando suave para a frente, com o braço esquerdo erguido para o alto e o direito estendido em direção ao Sol. A palma aberta da mão direita se voltava para baixo, como se abençoasse o Sol que partia para o Oriente. Além de anjo, bailarino. E tinha asas, imensas, duplas, quádruplas, múltiplas, espalhadas em várias cores atrás dos cabelos longos. Estava lá parada no céu, a nuvem-anjo, abençoando o sol, o rio, o céu sobre nossas cabeças, a cidade longe.
Quase não falamos. Ficamos até supernaturais, espiamos outras coisas, remexemos nas formigas, namoramos à toa em volta. Vezenquando um espichava o canto do olho para avisar ao outro: “Continua lá”. E assim foi, até que o Sol sumiu, o azul- marinho veio vindo das bandas dos Moinhos de Vento, apareceu a conjunção Vênus-Júpiter em Escorpião. A nuvem? Continuava lá, imóvel. E sozinha. O vento era tanto que todas as outras tinham desaparecido, sopradas para Tramandaí, Buenos Aires, Montevidéu. Só restava ela, a nuvem-anjo, abençoando os últimos raios dourados. Começou a esfiapar-se também apenas quando levantamos para ir embora. Ao chegarmos ao carro, não havia mais nada além de estrelas no céu imenso da Lua quase cheia em Aquário.
Pensei: “Glória a Deus sobre todas as coisas”. Foi o único pensamento que me veio. Nem era direito pensamento, parecia mais uma oração.”

Caio Fernando de Abreu

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Short is the flight of this little starling

Love sounds familiar, but the emotion escapes me

I will carpe the diem while it's still here,

And see how the fear of death becomes her

We had it all so sweet

Made for me, you, indeed...

Big secret, small the lie

Don't cry for me, oh, argentite…