terça-feira, 31 de julho de 2012

Sobre Dragões Cromáticos e Borboletas Rosa


Era uma vez um dragão...
Não, não...muito clichê para o começo!
Era uma vez um João...hum...ainda não é o que eu quero...
Ok. Vou pular a parte do “Era uma vez”.
Alguém aqui já viu um dragão? Eu já. Vi, ouvi e convivo com um todos os dias. São charmosos e mal humorados por natureza. Seres místicos, tão especiais e tão sem paciência.
Pois bem, eu tenho um dragão. Algumas pessoas têm príncipes, outras têm namorados, maridos, noivos, rolos, affairs, e etc...eu tenho um dragão!
E como é difícil conviver com um dragão. São geniosos, difíceis de lidar, impulsivos por natureza...vivem na escuridão, dificilmente convivem em harmonia com outros seres, são mais fechados, enclausurados em seus próprios pensamentos e saberes, e sabe muito meu dragão. Mas aqui vai uma curiosidade sobre sua natureza, quando se apegam a uma pessoa são capazes de tudo por ela.
É...sei como é...eu tenho um ao meu lado o tempo todo! Seja na saída pro trabalho ou na volta, quando passeio pela rua, ou quando levo o lixo, em todas as ocasiões eu sinto o hálito de hortelã do meu dragão.
A gente cresce com a ideia de príncipe encantado na cabeça, o Ken da Barbie, o Jack da Sally. Procuramos sempre algo que nos “completa”, algo que nos salva de nós mesmos em algum momento em que não se acredita em mais nada. Tem gente que vai me dizer que as pessoas deveriam ser autossuficientes e não depender de outro que a complete, e eu vou dizer a essas pessoas que ninguém pode ser feliz sozinho, e se ela ainda não descobriu isso, mais cedo ou mais tarde vai, seja um amigo, um cachorro, ou...ou...ou...um dragão.
E eu o encontrei, num desses lugares visitáveis de vez em quando, debaixo de chuva. Eu o avistei, todo molhado com um olhar de poucos amigos. Cara fechada, semblante estranho, lá estava ele. Eu olhei, ele olhou, e abaixou os olhos. “Esse é o meu dragão” pensei. E sorri. E ele sorriu.
Deve ter pensado consigo mesmo: O que uma borboleta faz aqui...bom, eu ainda estou tentando descobrir o que eu fazia lá, mas eu estava e ponto. Contei uma piada, ele riu de novo, e assim foi, assim termina a saga do meu dragão...pelo menos por enquanto.
No outro dia o dragão se aproxima de novo, meio sem jeito, meio com vergonha...maneira estranha de um dragão se comportar mas vá lá...e por incrível que pareça, contrariando todas as leis da convivência ruim de seres de espécies diferentes, nos demos muito bem. Um dragão negro cromático mal humorado e uma borboleta rosa sorridente...mas é assim que as coisas funcionam, não tem o que explicar, não tem como entender, você só tem que acreditar. E fomos muito felizes.


Fim...


Fim???!!!!

Não, não, não...nada de fim e nada de feliz para sempre. Nós brigamos muito, nos estranhamos o tempo todo, o dragão solta fogo capaz de incendiar uma cidade inteira de tanta irritação e tem tanta fúria que lança celulares pela parede, e a borboleta bem, ela fica nervosa de vez em quando, e saí gritando que ele precisa tomar banho, que ele não pode sufoca-la assim e por aí vai. Xingamos, choramos, reclamamos, discutimos sobre coisas imbecis como a profundidade do rio da China ou a distância da Lua com a Terra, se os Marcianos existem e se Deus tem barba e cabelo. O dragão negro anda ficando sem escamas e a borboleta tem perdido sua cor rosa, mas sabe o que os torna únicos e especiais? O poder de se reestruturarem rapidamente. Curam suas feridas com abraços, beijos, carinhos, conversas demoradas com pedidos de desculpas. Nos tempos difíceis em meio as cinzas o dragão carrega a borboleta em seus ombros para protege-la, em tempos de primavera a borboleta tece coroa de flores e busca guloseimas entre as flores para adoçar a vida do dragão, poderia dizer que eles se amam, mas acho que vai mais além, não dá pra explicar, não dá pra entender...você só tem que acreditar.
Quando a borboleta acha que está perdendo suas asas e não tem mais força para continuar, o Dragão, que antes era mal humorado, faz piadas, sorri, faz graça, a coloca no colo e canta velhas canções e histórias sobre o Mundo Antigo, quando o dragão está cansado a Borboleta faz carinho em suas escamas, coloca sua cabeça pesada no colo, conta histórias sobre o reino das Fadas, e traz paz aos seus dias.
E assim nós vamos vivendo, como um Dragão e uma Borboleta...um casal meio diferente, meio sorridente e mal humorado, meio “os opostos que se atraíram”, vivendo, sem finais felizes cindarelescos mas sem dramalhões mexicanos, colorindo a escuridão um do outro, vivendo como eu diria, um dia de cada vez com a pressa de tudo acontecer num piscar de olhos. E como já dizia aquela velha canção:


Serendipity


P.S: Esse texto foi à maneira que achei pra te agradecer por tudo ontem. Por tudo que você faz por mim. É incrível ver um pessimista por natureza fazer uma otimista por natureza sorrir em meio às nuvens escuras do dia. Eu não funciono muito bem em dias escuros né? E você, que sempre gostou de escuridão e tristeza me fez ver a beleza de um novo dia que ressurge e me fez ver o lado bom das coisas. Justo você...
Obrigada, por ao contrário do que eu esperava, ser o meu ponto de claridade em meio a escuridão...

Te amo muito

E sobre a música do casamento, olha só qual vai ser *-*





segunda-feira, 30 de julho de 2012

Notas de uma observadora...


"Pra mim felicidade é a busca da felicidade, ou melhor, felicidade é ter direito à busca da felicidade.
Os fundadores dos EUA foram muito felizes ao enunciar na declaração de independência americana: "Todo homem tem direito à busca da felicidade"; e felicidade não é sinônimo de alegria, você pode muito bem ser feliz e estar triste, ou alegre, e pra ser feliz não é preciso fechar os olhos para sofrimento alheio que tantas vezes nos rodeia. A felicidade não está na indiferença. Felicidade não quer dizer alienação!
A felicidade não estava nos planos da natureza, é uma invenção humana, e não existe felicidade obrigatória ou uma única receita para a felicidade. Felicidade é algo pessoal e sim, às vezes, transferível. Poucas coisas nos fazem mais feliz do que ver que a gente ama feliz.”

Pedro Bial – Na moral

Quer saber? Felicidade não está no fim do caminho, pra mim, felicidade é ESTAR e SER o caminho que se percorre todos os dias, rumo ao topo da montanha, a luz no fim do túnel, ao pote de ouro no fim do arco íris. Não importa qual seja o seu objetivo o importante é sempre enxergar as maravilhas dele...e eu continuo a caminhar, como diz Bial, FELIZMENTE...

domingo, 29 de julho de 2012


“Os amantes e os loucos têm cérebros tão fervilhantes, fantasias tão imaginativas que acabam por conceber mais do que a fria razão pode compreender.
O lunático, o amante e o poeta são compostos tão somente de imaginação.
Um enxerga tantos demônios que estes não cabem em todo o vasto inferno; assim é o louco. O amante, tão desvairado quanto, enxerga a beleza de Helena de Tróia no rosto de uma cigana.
O poeta revira os olhos num fino e furioso frenesi, lança um olhar do céu para a terra, outro da terra para o céu, e à medida que a imaginação vai desenhando os contornos de coisas não conhecidas, a pena do poeta vai lhes dando formas e coloca um nada etéreo em uma habitação local e inventa-lhe um nome.
Uma imaginação forte tem truques tais que se concebe uma alegria, inclui também um causador dessa alegria.”

Teseu
Sonho de uma Noite de Verão.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Quando você chora de solidão no meio de uma multidão


A coisa acontece assim, você está andando na rua e percebe que está só
Você está entre seus amigos e percebe que não se encaixa ali...se sente só
Você não sabe se comunicar com a família
E seu amor não te preenche mais...
Você se sente só...
Você se sente só com você mesma
Isso é possível?
Seja entre as quatro paredes do seu quarto cheio de ursos de pelúcia
Seja em uma festa
Seja em um almoço ou no trabalho.
De repente aquela sensação te sufoca, te machuca
Um nada...um abismo escuro...
E mesmo sem pensar muito no assunto você chora,
E chora e chora e chora...
Aquele choro que vem do fundo do coração e saí com soluços abafados de angústia...
É impossível controlar
E as lágrimas saem do controle...
Melhor chorar pra aliviar a alma.
Quero um colo pra deitar
Um ombro pra aliviar
Quero fechar os olhos e encontrar dentro de mim mesma todo conforto que preciso
Mas não encontro ninguém, não encontro nada
Coloco o som mais alto, o ritmo constante da guitarra vai aliviando.
As palavras vão saindo...
E lá fora é dia azul, o sol brilha
E aqui dentro tudo tão escuro
Vazio
As palavras vão saindo
Alguém por favor, alguém...
No meio da multidão alguém para aliviar essa minha dor
Não.
Ninguém é capaz disso.
Sou eu mesma, preciso de mim...
Eu aceito um comprimido, mesmo não acreditando no poder dele
Eu aceito, algo que faça parar de doer, algo que me preencha
Eu me sinto tão só...tão vazia...
Preciso cair no buraco da Alice novamente...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Do you remember me? How we used to be?


Perto dessa velha janela empoeirada, hoje tão desgastada pelo tempo era onde ela ficava, linda e branca.
Chego perto para observar a paisagem e percebo as arvores modificadas pela força do inverno, tão diferentes de quando era primavera, aquelas belas manhãs de primavera, onde seus galhos ficavam repletos de flores cor de rosa.
Foi por aquela janela que observava o mundo, as tardes alaranjadas de outono, as luas “sorriso de gato da Alice”, que se transformavam em luas “de lobisomem”, o balanço rude dos galhos da arvore em noites de tempestade que sempre me faziam esconder debaixo das cobertas, o cheiro da terra molhada, o piar de uma coruja.
Olho para o quarto e está tudo conservado. Tudo exatamente como eu deixei muitos anos atrás. Empoeiradas estão às lembranças de criança, ficar brincando de balançar na arvore do quintal ou de esconde-esconde no jardim, empoeirados estão também os sonhos da juventude de sair pelo mundo em busca de aventuras, ou encontrar o caminho que leva a Terra do Nunca e ser criança para sempre.
Sento-me na cama que um dia fora lar dos meus sonhos doces e penso em tudo que vivi e perdi desde que abandonara o ninho e fui voar.
A cor rosa da parede está meio desbotada, mas ainda conserva os pequenos desenhos que eu fizera quando mais nova, o sistema solar ainda está lá, assim como os ursos ainda conservam aquele cheiro doce de jasmim...
As coisas mudaram tão bruscamente que a gente só percebe quando para e escreve sobre elas.
Olho para a janela mais uma vez...ela ficava ali, me recordo, onde será que foi parar?
Começo a fuçar num armário repleto de recordações. As roupinhas de boneca, os perfumes, as casinhas...então de repente a encontro... Ela não mudou nada. Para ela o tempo não passou, está intacta, sem sombras de dúvida a mágica que a envolvia na infância continua a sobreviver nesses tempos nublados.
Abro com delicadeza a tampa com medo do que possa encontrar lá dentro, e lágrimas me veem aos olhos quando percebo que ela ainda está lá, dormindo um sono profundo como o da Bela Adormecida, esperando alguém vir acorda-la. Com muito cuidado giro a cordinha e a desperto, em cima da tampa espelhada ela começa seu bailado, minha doce bailarina agora esta desperta...minha caixinha de música preciosa ainda vive.
A coloco com cuidado em cima da beirada da janela onde sempre esteve, e sento-me ao seu lado como fazia quando criança. Ela, como quem acabará de despertar de um longo sono, está cheia de vida e não para um segundo de bailar em todos os cantos do espelho. Minha doce bailarina, como pude esquecer de você!
Sua música vai entrando em todas as frestas abertas naquele quarto e na minha alma, vai preenchendo tudo com suas notas doces e meus olhos vão seguindo seus passos, o tempo não passou para ela, uma bailarina de sorte ela é.
Enquanto ela dança, percebo que assim como a bailarina, é necessário dar um impulso em nossa vida para acordarmos de vez em quando, talvez precisemos que alguém levante a tampa e dê corda em nossos corações para que tudo volte a ter som e não fique mais tão parado, ou apenas um mecanismo que nos faça acordar e abrir os olhos para as notas musicais que giram em torno de nós, a inércia em vida é o pior mal que pode se assolar sobre uma pessoa.
Assim como a bailarina só tem razão quando se está dançando, a gente só tira proveito dessa vida quando se está feliz e realmente viva.
A música fica muda e a bailarina acaba seu bailado, sorrio, fecho com cuidado, e a guardo. Desço as escadas apressada e encontro minha sobrinha no andar debaixo brincando na cozinha com a minha mãe.
_ E então, sentiu saudades do seu quarto filha? _ pergunta quando me vê.
_ Só percebi como me senti vazia sem ele quando voltei a revê-lo_ respondi sorrindo_ Hey gatinha, tenho uma coisa pra você. _disse isso e peguei Malu no colo. _ É um presente muito especial e tem que me prometer que vai cuidar dele como seu maior tesouro. Eu o ganhei quando tinha sua idade, e ele ainda está novinho. Você promete?
A menina brilhou os olhinhos e fez que sim apressadamente com a cabeça.
Desembrulhei a caixinha e lhe dei mostrando como funcionava, girei o mecanismo e a bailarina começou a rodopiar em frente aos olhos admirados de Malu, ela me abraçou e se sentou no chão da sala com seu novo presente, não tirou os olhos da bailarina nenhum minuto até a hora do almoço, em que disse na mesa.
_ Quero ser bailarina como a moça da caixinha que a titia me deu!
Todos sorriram.
Minha mãe depois do almoço disse:
_ Achei que você nunca daria aquela caixinha de música. Ela sempre foi tão preciosa pra você.
Eu a abracei:
_ Eu aprendi o seu segredo. Agora ando bailando por aí e observando o som que vem da minha caixinha de música. Um dia, a Malu também vai descobrir.




Dia 25 de julho – Dia do Escritor

Nota de Alice:
“Escritor é o artista que se expressa através da arte da escrita”

Que seja em livros, blogs, que seja conceituado ou apenas mais um desconhecido. Se você usa um papel qualquer ou um site na internet para transmitir suas emoções ou soltar seus pensamentos, se você usa as palavras como ajuda para transmitir o que sente, FELIZ DIA DO ESCRITOR!

“Quando dá essa vontade louca de morrer, é bom fingir ser um poeta.
É.
É melhor continuar escrevendo...”

Fernanda Young

segunda-feira, 23 de julho de 2012

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Beijo ♥


“O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.”

Carlos Drummond de Andrade

Feliz aniversário de primeiro beijo melhor de todos *-*

Te amo muito