segunda-feira, 10 de outubro de 2011

“Só tenho de continuar, como se houvesse algo a fazer,

algo a começar, algum lugar aonde ir.

Tudo se reduz a uma questão de palavras,

é preciso esquecer, eu não esqueci.”


"Uma vez, no recreio, comendo um Bis derretido, pensei isso, pela primeira vez: e se eu ficasse louca?
Vi minhas amigas trocando papéis de cartas, vi uns meninos correndo de testa suada, vi uma professora caminhar como alguém que pensava em alguém que ela encontraria no final do dia, vi tudo isso como se não pudesse ter, ver, ser.
E se eu ficasse louca.
Que triste para meus pais, que triste para a carteira vazia da escola, que triste para os livros plastificados com a etiqueta que dizia que era eu. Uma estudante, uma garotinha, com família, amigos, presilhas de cabelo, camisas brancas PP com um brasão que trazia um livro e um fogo.
Se eu ficasse louca tudo isso seria o quê? Pra onde iriam os materiais e as pessoas e o amor?
E se eu ficasse louca?
Quem iria me ver babar num canto de um hospital? Existe louco em casa? Mãe ama os loucos? Louco tem amigo? Louco tem livro plastificado? Louco começa e não para mais até acabar? Louco uma vez, louca pra sempre?
Converse. Respire. Pense em garotos. Pense em xampus. Vamos. Não fique louca. Mude de assunto. Pense na menina mais bonita do mundo e odeie. Dê nome pra loucura que ela deixa de ser. Sinta dor com nome que assusta menos. Caia na aula de educação física, rale o joelho, sangre, dói menos. Desembarace os cabelos e sinta que problemas se alisam. Faça o papel do Bis virar um barquinho. Isso. Conte uma piada. Se os outros rirem bastante. Se a sua estranheza puder ser amada. Qualquer coisa menos loucura. Pense naquela música da rádio. Não, você não está triste. Uma fofoca e pessoas em volta. Vá até o banheiro retocar o batom da moranguinho. O professor mais ou menos bonito, por ele.
Os outros. Olhe. Os outros. Vamos. Que data mesmo? Da guerra. Que data? Qualquer coisa. Menos louca. O hino. Sujou um pouquinho da meia. Limpinha. Dê nome aos problemas. Problemas com nomes são problemas e não loucuras. Sempre evitando que ela saia. Sempre segurando. Não caia dura no meio do mundo. Não se chacoalhe no meio do pátio. Não vomite só porque sei lá o que é isso impossível de digerir e nem quero saber. Não abrace sem fim porque é preciso sentir o vento com o peito sozinho. Terrível mas tem banho quente pra distrair. Não espanque, não soque, não chore sangue, não arranque a língua, não grite, não acabe.
Siga. Sorria. Mais uma prova. Mais uma festa. Mais um garoto. Sempre um pavor escondido mas nem era nada disso. Sempre uma tristeza abafada mas nem era nada disso. Sempre uma alegria exagerada que ninguém acolhe e o silêncio depois, fazendo curativos na pureza criando cascas.
Um dia você será. O quê? Normal. Um dia você será. Normal. Um dia. Enquanto isso, se distraia como a professora que ama, as crianças que trocam papéis de cartas, os garotos que correm. Eles estão se distraindo também e pensando "olha, uma menina comendo Bis".

“Queria aproveitar para fazer um elogio a mim, sim, chega de me detonar.
Queria te dizer, sua escrotinha que dorme comigo todas as noites, que nenhuma das vezes em que eu cheguei perto da janela e fiquei na ponta dos pés, eu estava sendo sincera.
Queria te dizer que, apesar de você se sentir imensamente sozinha de vez em quando, eu sou milhares, e todas essas milhares te acham a melhor mulher do mundo.
Queria bater palmas pra todas as vezes em que você sacrificou o que você mais amava em nome de seguir a diante com o teu fígado e todas as vezes em que você ficou pequenininha para que ficar grande fosse ainda maior.
Obrigada por nunca ter fugido de mim, obrigada por ter me encontrado, obrigada por estar aqui.
Confie que agora, de dentro de mim, conquistar o mundo vai ser ridículo.
Ah, e tem mais: sua bunda até que é bonitinha, mas o resto é um arraso!”

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Olhando pro nada ela sorria..

Ela sorria.

Poderia ter cometido um crime.

Poderia amar em segredo.

Poderia ter lembrado de coisas boas.

Mas ela apenas sorria.

Como quem abafa um suspiro.

Como quem guarda um segredo.

Mas não era, nem segredo nem nada.

Era felicidade e era muito.

– Não tem jeito meu bem, uma hora na vida a gente tem que ser feliz. Então é agora!

Nasci pra poucos...




E morro por quase ninguém!



E hoje eu tenho uma única certeza,

Que me lava a alma e me enche de orgulho

eu finalmente tenho alguém pra viver pra sempre .

Realmente não acredito que alguém consiga ser plenamente feliz sozinho .

A gente se distrai muito até encontrar o amor de verdade.

Desculpe, mas sou piegas assim: ACREDITO NO AMOR DE VERDADE!

Você pode encontrar muita gente pelo caminho.

Muitas enganações, muitas promessas, muitos beijos, muitos corpos e corações.

Mas a gente sente quando ele, o amor, chega pra ficar.

Você sente pela sensação de conforto que ele oferece.

Pela calma.

Pela paz.

Por ajeitar tudo lá dentro do peito.

É que as paixões nos bagunçam, nos desarrumam...

O amor arruma tudo.

O amor faz uma faxina emocional.

O amor deixa tudo limpo, novo, claro.

A paixão dá uma sensação de poder, faz o chão sacudir, seu corpo balançar.

O amor traz segurança, tranquilidade.

O amor é sereno.

Durante muito tempo eu quis sentir aqueles efeitos e reflexos de paixões.

Elas arrebentam, arrebatam, atormentam.

O amor, não.

O amor tem o mesmo efeito de um abraço bem longo e apertado.

Ele te deixa com a cabeça nas nuvens e os pés no chão.

É que amar é ter os pés no chão.

Olhar para frente junto com o outro.

Amor é realidade, dia a dia, dificuldade.

Amar é vencer uma batalha todo santo dia.

Porque não é fácil conviver com alguém.

Não é fácil dizer olha te entrego meu coração, meu sentimento, minha emoção.

Olha, cuida bem de mim.

Cuida do que eu sinto.

A gente tem que baixar a guarda, engolir o orgulho, se deixar levar.

Se perder para se encontrar.

O amor é um encontro.

De você com você mesmo.

Amar é se ver nos olhos do outro .

Mesmo que ele esteja com os olhos fechados.

Acredito que existem amores saudáveis e amores prejudiciais.

Amor saudável é aquele que une, junta, agrega.

Amor prejudicial é aquele maluco, possessivo, que separa, que isola.

É muito ruim quando seus amigos ou família não gostam da pessoa que você escolheu para viver junto.

Amar é querer reunir todo mundo que mora no seu coração.

Ainda bem que eu consegui. E consigo isso todo dia.

Eu e o Bo ^^